Aprenda Como Usar a Empatia Para Sua Própria Vantagem

A empatia é a capacidade que nos permite colocar no lugar de outra pessoa, vendo o mundo através de seus olhos, sentindo o que ele sente e aceitando sua individualidade. Por que essa habilidade é tão útil quando se escreve um currículo? Porque quando você se coloca no lugar de um recrutador, você se torna capaz de entender quais são suas necessidades e quais são seus desejos. Consegue imaginar o poder de assumir tal perspectiva privilegiada?

O mundo através dos olhos de um recrutador

Imagine que seu trabalho é analisar e selecionar currículos. Por que você está fazendo isso? Porque você precisa. Mas qual é seu objetivo? Seu objetivo é escolher pessoas. Porquê? Porque há um lugar em sua empresa onde elas estão faltando.

É como se sua empresa fosse um relógio onde está faltando uma peça. Essa peça tem uma função específica, uma tarefa que deve executar. E à medida que ela executa essa tarefa, há todo um conjunto de características que ela deve possuir a fim de cumprir os objetivos para os quais foi desenhada.

Essa peça é a pessoa que você procura. Então, quando você pega nos currículos, seu objetivo é encontrar aquele que descreve a pessoa que mais parece se encaixar no que sua empresa precisa.

Os dirigentes da empresa escolheram você, pois acreditam que você é alguém perspicaz, capaz de distinguir entre os bons e os maus candidatos que se candidataram para preencher a vaga. Mas você não é nenhuma máquina, é um ser humano. Isso significa que, mesmo que você tenha uma boa ideia do que está procurando, poderá acabar por descartar um bom candidato ou até acabar escolhendo um ruim.

Toda essa pressão está sobre seus ombros à medida que verifica cada um dos currículos. Você deseja corresponder às altas expetativas que seus superiores depositaram em si, mas ao mesmo tempo, também está ciente de suas limitações. Sendo esse o caso, o que você está procurando mesmo?

Algo diferente e ainda assim familiar

A não ser que esteja traumatizado, o cérebro humano reage a coisas novas de uma forma positiva. Gostamos de novidades e a mesmice nos aborrece. Assim sendo, depois de dezenas de currículos semelhantes passarem por suas mãos, todos dizendo “Eu lido muito bem com outros,” você começa se sentindo frustrado. Folha de papel após a folha de papel e todos elas parecem ser cópias uma da outra.

O tempo passa e você continua a revisá-las. Finalmente, algo capta sua atenção. “Veja! Esse é diferente” você profere em voz alta. Como se acordando repentinamente de sua tarefa tediosa, você decide dar uma olhada mais a fundo.

“Esse cara está falando a sério sobre sua fluência em klingon ser seu maior atributo?”, você pensa, descartando o currículo. O que deu errado?

A diferença se destaca e capta a atenção. No entanto, ser diferente, por si só, não é o suficiente. Diferença também pode nos assustar. Como assim?

O klingon é uma língua inventada, criada para o seriado Star Trek (Jornada nas Estrelas). Neste caso particular, a fluência no klingon poderia ser indicativo de que o candidato se trata de alguém perseverante e inteligente ― pois com certeza que aprender klingon exigiu esforço e dedicação. No entanto, também poderá ser indicativo de alguém que não usa bem o seu tempo e que tampouco tem as prioridades certas, pois dedicou uma grande parte de sua vida para aprender uma língua que tem pouca utilidade prática. Tudo depende de como o resto do currículo pinta o perfil deste candidato. Em todo o caso, o ponto é que ser diferente, por si só, é muito arriscado. Esta diferença de que lhe falo tem de ser bem contextualizada para transmitir uma boa impressão.

É que, além de ficar curioso com o que é diferente, o cérebro humano também anseia o que lhe é familiar, especialmente quando há muita coisa em jogo, como quando uma pessoa tem a responsabilidade de selecionar os candidatos certos para uma entrevista de emprego. Assim sendo, a diferença deve ser apresentada em um contexto de familiaridade. Você não quer aborrecer o seu futuro empregador com mais um currículo igual a todos os outros, mas também não o quer assustar, ou lhe causar uma má impressão, com algo demasiado invulgar. Portanto, há uma linha fina separando aborrecido de estranho.

Como pode você saber em que lado dessa linha está seu currículo?

Imagine o que acontece quando você conhece uma pessoa nova. Como todos nós, você aprecia pessoas interessantes. Talvez essa pessoa tenha um hobby incomum, ou uma história de vida única. Você faz perguntas e quer saber mais. Por quê? Porque a novidade o atrai. Mas, e se essa pessoa responde a suas perguntas de forma estranha? Talvez sua escolha de palavras e comportamento sejam bastante diferentes do que você está acostumado. Seus costumes, estatuto social, predileções e senso de humor são muito fora do que você aprendeu a gostar. O que acontece com sua centelha de interesse? Você talvez sinta que ela começou a se desvanecer. Porque isso está acontecendo? Porque você não sente uma conexão. É como se vocês fossem de dois mundos incompatíveis. Há pouco com o qual você consegue se relacionar e nenhum ponto em comum. Quando a vossa conversa finda, você até pode ter gostado de aprender algumas coisas novas, mas não consegue imaginar ele ou ela se tornando em um de seus melhores amigos.

Qual o ponto?

Sim, nós nos interessamos pelo que é diferente, mas também ansiamos o que nos é familiar.

De forma semelhante, quando seu currículo é inspecionado, o que o recrutador está esperando? Ele está esperando algo que se destaque, mas não em demasia e da maneira certa.

A verdade é que você ainda precisa se encaixar no lugar que está esperando por si na empresa. Afinal de contas, esse lugar vago é provavelmente a razão de seu currículo estar sendo lido. Como tal, você ainda precisa possuir as competências necessárias para completar as tarefas relacionadas com o trabalho e ainda precisa possuir os traços de personalidade que lhe permitirão se adaptar, tanto a seus colegas, como à cultura da empresa. Quando seu currículo está sendo lido, estas são as coisas familiares que o recrutador espera encontrar. No entanto, dentro da lista de habilidades e traços familiares, seu futuro entrevistador espera novidade ― ele quer ser surpreendido de uma forma positiva.

Você quer uma entrevista, ele quer ser surpreendido no contexto de um currículo familiar. Como isso funciona na prática? Vamos descobrir tudo isso no próximo artigo, onde exploraremos o processo de escrita que é rápido e eficiente.

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